AHT: MINISTÉRIO DA SAÚDE OUVE SÓ UMA DAS PARTES

— Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br

O Ministério da Saúde está deixando à margem de todas as políticas públicas de saúde uma parcela considerável da população, que faz uso da auto-hemoterapia, a qual trata como “procedimento médico a ser reconhecido pela comunidade científica pertinente à atividade médica”. Isto fica claro no Despacho Nº 292/2010, da Coordenadoria Geral de Sangue e Hemoderivados, datado de 30 de setembro de 2010. Segundo aquela coordenadoria, não cabe seu posicionamento nem “avaliação da pertinência do procedimento de ‘auto-hemoterapia’ até que haja alteração do posicionamento do Conselho Federal de Medicina, bem como de outros órgãos de referência científica da área médica”. O despacho serviu pra fundamentar resposta, em 14.10.2010, ao ofício do Senador Eduardo Suplicy (PT/SP) que solicitava informações a respeito do uso da auto-hemoterapia no Brasil.

Os órgãos do Ministério da Saúde não levaram em conta nenhuma possibilidade de tratar com respeito uma parcela imensa da população que depende da auto-hemoterapia para garantir a sua própria saúde e bem-estar. Simplesmente anexaram documentação contestada e ultrapassada, que não leva em conta pelo menos a posição do CFM, o qual passou a considerar o procedimento denominado Tampão Sanguíneo Peridural como prática médica no âmbito da auto-hemoterapia e de eficácia comprovada. Deixou também de levar em conta o procedimento Plasma Rico em Plaquetas, outra forma de auto-hemoterapia que vem sendo usada por médicos sem qualquer restrição.

CONSENSO SOBRE O CONCEITO

Deixa de fazer qualquer alusão a milhões de casos de tratamento de cerca de trezentas enfermidades já citadas como tendo sido tratadas com ajuda da auto-hemoterapia. Conforme foi observado recentemente no site http://www.hemoterapia.org/informacoes_e_debate/ver_opiniao/o-conceito-teorico-da-auto-hemoterapia-em-momento-algum-foi-posto-em-duvida.asp , “O conceito teórico de auto-hemoterapia não foi posto em dúvida pelo CFM, (…) nem pela ANVISA, nem por qualquer acadêmico, defensores do método científico”. O texto assinado por Renato Sabbatini defende mais: “Portanto, pode-se partir do pressuposto de que a TEORIA que embasa a Auto-hemoterapia é reconhecida de maneira unânime como válida”, concluindo que “Se a teoria é válida, porque não seria válido seus efeitos benéficos?”, pois “É defendido por todos a necessidade de comprovação científica dos efeitos benéficos e da não evidência de efeitos colaterais”.

Além do mais, a resposta do Ministério da Saúde despreza todos os trabalhos científicos e pesquisas feitas através da história, em nome de uma burocracia nociva à saúde, sem levar em consideração a missão social do Ministério da Saúde. É estranho por que o Ministério da Saúde não adota qualquer providência com vistas a documentar o que já é comprovado cientificamente, bem como oferece condições para a pesquisa comprobatória da eficácia ou ineficácia da auto-hemoterapia para cada enfermidade sobre as quais já foi alegado que teve experiências bem sucedidas.

NUNCA OUVIRAM O OUTRO LADO

Mas existe outro aspecto que precisamos ver com atenção. Em nenhum momento o Ministério da Saúde se dispõe a ouvir o outro lado, o lado dos usuários da auto-hemoterapia, que estão se beneficiando com o uso da técnica há mais de 150 anos. Pois se prestarmos atenção existe um desequilíbrio no trato desse assunto, já que só quem tem poder de falar oficialmente é um lado. O CFM é do lado contrário à AHT, quando deveria estar ao lado da verdade. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que devia dizer ao CFM o que devia fazer, faz o contrário: pergunta ao CFM se pode ou não. E fica do mesmo lado. A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia acompanha a ANVISA e o CFM, que também é acompanhado pelo Conselho Federal de Enfermagem. Tudo de um lado só, portanto.

O outro lado é o lado do usuário, enfermo, que precisa usar a técnica que vem dando certo e está com seu uso suspenso, embora não haja nenhuma lei que proíba seu uso no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Este lado é desprezado e quando alguém, como o Senador Suplicy envolve-se no problema e pede informações, fica à mercê de respostas vazias, evasivas, desatenciosas, pois nesse último documento recebeu do Ministério da Saúde até como “Dep. (deputado)” foi tratado, sem desmerecer aquela outra categoria de parlamentares federais.   

VERDADEIROS MOTIVOS DA PROIBIÇÃO

Enquanto chegava esta resposta pouco esclarecedora do Ministério da Saúde para o Senador Suplicy, o Jornal da Cidade, de Sergipe, publicava o 42º artigo da séria “Auto-hemoterapia, Dr. Fleming e os antibióticos”( http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=80740 ), assinada pelo médico Jorge Martins Cardoso, no qual ele afirma a continuidade da luta a favor da auto-hemoterapia e refere-se à proibição, dizendo: “Parece-me que o principal motivo é de ordem econômica, envolvendo muitos governos, muitas entidades de classe, muitas empresas multinacionais – no passado conhecidas como trustes e hoje em dia conhecidas como transnacionais – e, portanto, envolvendo bilhões de dólares”. Segundo o médico, “o que é muito estranho é a falta de pesquisa ou a falta de pesquisas sobre o assunto”. Mas garante: “Desde já, podemos adiantar a todos os leitores que a prática da auto-hemoterapia é absolutamente inofensiva. Em outras palavras, não faz mal nenhum, desde que seja corretamente aplicada”.

Dr. Jorge Martins Cardoso diz também que “Sobre a auto-hemoterapia e sobre pesquisas sobre a auto-hemoterapia, aqui não é o que me parece, mas sim, é um fato concreto, é um fato verdadeiro, é um fato real, o que está acontecendo é uma sangrenta ‘revolução do silêncio’, um cruel ‘golpe do silêncio’, e uma bem orquestrada e desumana ‘conspiração do silêncio’”. E anuncia: “Já que é assim, discorreremos em vários artigos, sobre a intocável e quase divina ‘comunidade científica’, sobre algumas das atrocidades cometidas contra a humanidade ao longo da história, e, tanto quanto possível, sobre a colaboração e a participação de ‘silenciosos’ cientistas, de ‘silenciosos’ médicos e de ‘silenciosas’ corporações. Contra a ‘conspiração do silêncio’ o antídoto auto-hemoterápico é a ‘conspiração do barulho’” – defende.

*Jornalista

Leia mais sobre auto-hemoterapia no site http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm

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